Como criei um sistema de gestão pra um laticínio com Claude Code e Google Sheets — sem programar e sem pagar hospedagem

Formulário web com cara de aplicativo do sistema de gestão do laticínio criado com Claude Code

Dá pra criar um sistema de gestão sob medida sem saber programar — e sem pagar mensalidade? Dá, e eu fiz um: pra operação nova de doce de leite artesanal de um laticínio, montei o sistema completo — compra de insumos, estoque, produção, custo de produção, vendas, contas a receber e dashboard de resultado. A base é uma planilha do Google Sheets; a equipe alimenta por formulários web com cara de aplicativo, que eu construí com o Claude Code sem escrever uma linha de código. Vários usuários, custo de hospedagem: zero. Neste artigo, o método do começo ao fim.

O ponto de partida: uma operação nova, prestes a nascer no caderno

O laticínio estava começando uma operação nova: a produção de doce de leite artesanal. E operação nova, no interior, nasce do jeito que sempre nasceu: no caderno — compra anotada, produção anotada, venda anotada, igual aos outros controles da casa.

Só que operação nova é a melhor hora de fazer diferente: não tem sistema velho pra migrar, não tem vício de processo pra desmontar. Dava pra ela nascer organizada — se o custo e a complexidade de um sistema não matassem a ideia antes. Software de mercado seria o de sempre: genérico, cheio de campo que não serve, sem o campo que serve, e mensalidade pra sempre numa operação que estava começando.

Passo 1 — A reunião: entender antes de construir

O trabalho começou longe do computador: sentei com eles e levantei todos os campos que iam precisar controlar — o que se anota na compra do insumo, o que se anota na produção do doce, o que se anota na venda. Cada informação que a operação precisa pra funcionar e pro dono enxergar resultado.

Essa é a parte que nenhuma ferramenta faz por você, e é a mais importante: o sistema certo espelha o negócio real. O levantamento bem feito é a especificação do sistema.

Passo 2 — As regras do negócio

Do levantamento, organizei as regras: como a compra de insumo entra no estoque, como a produção consome insumo e gera produto, como o custo de cada lote se calcula, como a venda baixa o estoque e gera o contas a receber, o que o dono precisa ver no fim do mês. Regra de negócio escrita em português claro — o mesmo trabalho de definir o que um assistente sabe e como se comporta, aplicado a um sistema.

Passo 3 — A construção: primeiro simples, depois "top"

A primeira versão eu montei com o arroz com feijão do Google: Google Sheets guardando os dados e Google Forms pra equipe lançar. Funcionou — e já provou o desenho do sistema, de graça.

Aí eu quis testar o degrau seguinte: levei o projeto pro Claude Code — sem saber programar nada — e descrevi o que eu queria: telas de lançamento com cara de aplicativo, uma pra cada módulo, alimentando a mesma planilha do Google Sheets. Ele construiu, eu testei como usuário, apontei ajuste, ele corrigiu. O resultado: a equipe abre o formulário no celular como se fosse um app, lança compra, produção ou venda, e tudo cai organizado na planilha — vários usuários, ao mesmo tempo, sem pagar hospedagem, porque roda em cima da estrutura gratuita do Google.

Os módulos, na ordem em que o negócio flui:

  1. Compra de insumos — a entrada, com fornecedor, quantidade e valor
  2. Estoque de insumos — o que tem, o que a produção consome
  3. Produção — cada lote de doce produzido, com o consumo de insumo amarrado
  4. Estoque de produção — o produto pronto, disponível pra venda
  5. Custo de produção — o custo de cada lote, calculado das regras, não do chute
  6. Vendas — a saída, baixando estoque
  7. Contas a receber — o que foi vendido e ainda não entrou
  8. Dashboard de resultado — o fim do fluxo: a operação inteira numa tela

Repare que a lista é o próprio negócio, do insumo ao resultado. Não tem nada a mais — e não falta nada. É o que "sob medida" significa de verdade.

O que muda pra uma operação assim

  • Nasce organizada: o doce de leite artesanal começou a existir já com estoque, custo e resultado no sistema — sem a fase do caderno pra depois desmontar.
  • O custo por lote aparece — calculado, não estimado — e com ele a resposta que decide preço e margem.
  • A equipe alimenta do celular, cada um o seu módulo, sem quebrar nada: o formulário protege a planilha.
  • O dono ganha o dashboard: o resultado da operação numa tela.
  • E o custo do sistema é zero de mensalidade e zero de hospedagem — numa operação nascente, isso não é detalhe: é o que torna viável ter sistema desde o dia um.

Onde o método para e o profissional entra

A honestidade de sempre: isso é sistema de gestão interna — controle, custo, resultado pra decidir. Emissão fiscal, obrigação legal e contabilidade seguem com as ferramentas e os profissionais próprios disso. E se a operação crescer a ponto de pedir volume alto, integração pesada ou muitos usuários críticos, a base organizada facilita qualquer migração — e projeto grande pede gente técnica no time, construindo mais rápido com as mesmas ferramentas.

Perguntas frequentes

Por que Google Sheets, e não um banco de dados "de verdade"? Porque pro tamanho da operação, o Sheets É o banco certo: gratuito, confiável, todo mundo sabe abrir, e o dono enxerga os dados sem depender de ninguém. Banco de dados entra quando o volume pedir — e a migração parte de dados já organizados.

Quanto custa manter um sistema assim? De hospedagem e mensalidade: nada — roda na estrutura gratuita do Google. O investimento é o do projeto: entender o negócio, definir as regras, construir e validar.

A equipe precisou de treinamento? O formulário com cara de aplicativo é o treinamento: cada tela pede só o que aquele lançamento precisa. Quem usa WhatsApp, usa.

Serve pra outros negócios do agro? A lógica serve pra qualquer operação que nasceria no caderno: fábrica de ração, agroindústria pequena, revenda, a própria fazenda. Muda o conteúdo das regras; o método — reunião, regras, construção — é o mesmo.

Você faz projetos assim pra outras empresas? Faço — consultoria e projetos sob medida pro agro. O caminho é o contato no fim do artigo.

Pra empresas do agro que querem uma operação organizada desde o dia um — sistema, assistente, ferramenta sob medida —, o caminho é a mentoria — fala comigo no WhatsApp →: atendimento personalizado, caso a caso. O método completo por trás disso eu ensino na Jornada Safra; e pra começar do zero, o ChatGPT pro Dia a Dia do Campo.

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Sobre o autor

Fábio Kinsch é produtor rural no Sul de Minas (grãos e pecuária de corte), opera 4 unidades de armazenagem de grãos e é vice-campeão de produtividade de soja pelo CESB. Fundador do IA no Agro — IA aplicada por quem produz, não por quem vende tecnologia.